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Vista do Largo
do Pelourinho, onde fica a Casa.
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O Largo do Pelourinho está
situado no coração da parte mais antiga da cidade
do Salvador. Bem ao pé das velhas Portas do Carmo, pertinho
do Terreiro de Jesus e de um dos mais famosos conjuntos de igrejas
barrocas das Américas: a de São Francisco, toda em
talha dourada, a do Rosário dos Pretos, a do Passo e a imponente
Catedral Basílica, antes igreja do Colégio dos Padres,
onde estudou o poeta Gregório de Mattos e pregava o padre
Antônio Vieira.
O Largo do Pelourinho, oficialmente
Praça José de Alencar, é assim chamado em razão
de ter sido, durante muitos anos, um local de suplício, onde
os condenados eram expostos, amarrados ao pelourinho, aos olhos
dos passantes e à execração pública.
Pelas pedras redondas de seu calçamento, polidas pelo tempo,
muito sangue correu, principalmente sangue dos negros supliciados,
que, muitas vezes, ali mesmo morriam, vítimas de sua ânsia
de libertação e da crueldade dos senhores. Neste local,
palco de tantas tragédias, cenário de tantas dores,
mas também de intensa beleza, reproduzido em fotos pelo mundo
inteiro, cartão postal obrigatório de quantos visitem
a cidade do Salvador, está plantada a Casa de Jorge Amado.
A escolha não podia ser
mais apropriada. Afinal, o Largo do Pelourinho é um dos marcos
deste imenso território que é a obra do escritor mais
amado de sua terra. Entre fantasmas do passado e a variada população
que hoje ocupa os velhos casarões assobradados, movem-se,
com desenvoltura, os personagens deste criador que, extrapolando
as fronteiras da língua, levou aos quatro cantos do mundo
as histórias de sua gente. Por essas ladeiras perambulavam
Antônio Balduíno e o cabo Martim. Aqui morreu Pedro
Arcanjo. Quincas Berro Dágua ressuscitou no Pelourinho, onde
dona Flor vinha aconselhar-se com a negra Dionísia de Oxóssi.
De repente, Jubiabá pode surgir das sombras de uma velha
portada. Ou Jesuíno Galo Doido.
Se o passante tiver sorte, talvez
ainda sinta o perfume de Tereza Batista que acabou de sumir na outra
esquina. Mas, com certeza mesmo, verá pelas ruas centenárias
o povo da Bahia alegre, comunicativo, sofredor e orgulhoso de sua
terra.
E se tiver um tempo e quiser
conhecer um pouco mais da vida, da arte e da literatura da Bahia,
a Casa de Jorge Amado está aberta.

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