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A
história de amor do Gato Malhado e da Andorinha Sinhá eu
a escrevi em 1948, em Paris, onde então residia com minha
mulher e meu filho João Jorge, quando este completou um ano
de idade, presente de aniversário; para que um dia ele a
lesse. Colocado junto aos pertences da crinça, o texto se
perdeu e, somente em 1976, João, bulindo em velhos guardados,
o reencontrou, dele tomando finalmente conhecimento.
Nunca pensei em publicá-lo.
Mas tendo sido dado a ler a Carybé por João Jorge,
o mestre baiano, por gosto e amizade, sobre as páginas datilografadas
desenhou as mais belas ilustrações, tão belas
que todos as desejam adimirar. Diante do que, não tive mais
condições para recusar-me à puclicação
por tantos reclamada: se o texto não paga a pena, em troca
não tem preço que possa pagar as aquarelas de Carybé.
O texto é editado
como o escrevi em Paris, há quase trinta anos. Se fosse bulir
nele, teria de reestruturá-lo por completo, fazendo-o perder
sua única qualidade: a de ter sido escrito simplesmente pelo
prazer de escrevê-lo, sem nenhuma obrigação
de público e de editor.
Londres, agosto de 1976.
Jorge Amado (In: O gato Malhado e a andorinha Sinhá:
uma história de amor, 40. ed. Rio de Janeiro: Record,
2002)
Histórico
1ª edição
pela Editora Record, Rio de Janeiro, 1976, 72 páginas, com
ilustrações de Carybé. A 40ª edição,
a mais recente, é de 2002.
Foi publicada em Portugal e
traduzida para o alemão, espanhol, finlandês, francês, galego, grego,
guarani, inglês, italiano, japonês, russo e turco.
Dança: adaptação para
balé de Luiza Lagoas, com várias encenações em épocas diversas.
Teatro: adaptação teatral
do grupo mineiro Ponto de Partida, 1992.

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